Empreendedorismo

7 diferenças entre negocios Brasileiros x Americanos

8 de fevereiro de 2017

Já faz um ano e meio que tenho estudado sobre este tema, desde a primeira ideia que tivemos no www.brazilianbusinessusa.com. Começamos a desvendar as principais diferenças entre Brasil e Estados Unidos; foram mais de 1300 inscritos para o nosso primeiro evento, que tinha somente 200 vagas. Fizemos um questionário com a pergunta “Por que você gostaria de participar desse evento?” E as respostas foram unânimes:

Gostaria de saber como entrar no mercado americano!

Depois de conhecer a história de muitas empresas, acabei gerando um diagnóstico bem pessoal 😉

Uma pesquisa de 2014, feita pelo SEBRAE, indica que ter o próprio negócio é o terceiro sonho mais comum do brasileiro, ficando apenas atrás de comprar a casa própria e viajar.  Sei que nossos amigos gringos têm muitos defeitos… porém, vamos aproveitar para apreender um pouco sobre o que eles têm de bom?? E digo-lhe com extrema sinceridade: os números não mentem.

Os Estados Unidos representam a maior economia do mundo e o dólar é a moeda mais forte do planeta. O PIB atual é US$ 17,416 trilhões, quase 6 vezes mais que o brasileiro, que atualmente está em US$ 3,101 trilhões.  Segundo a Wikipedia, o PIB dos  EUA é 70% maior que o do país que o segue, a China. Além dos seus pontos fortes como baixo desemprego, altos investimentos em pesquisa e incentivos ao empreendedorismo e tecnologia, também é o maior mercado de consumo do mundo!

Eu poderia fazer um texto com muitas outras informações, mas vamos ao que interessa! Eu separei os pontos fortes que considero serem os mais expressivos, para explicar o porquê de essa nação ser tão próspera. Vou sair dos números oficiais e dar um depoimento real do que eu tenho vivido nesses 2 últimos anos.

No Brasil, fomos acostumados a sair das universidades e aventurarmo-nos de forma autônoma, sem nenhuma participação ou qualquer ajuda, nem ao menos engajamento por parte dos órgãos públicos. Aqui, se você é um empreendedor regulamentado, tem apoio desde associações até mesmo do próprio governo.

Um dos fatores que eu mais observo é que começamos e acabamos nos acostumando a fazer as coisas sem um plano, sem um mapa. Muitas vezes, é por falta de planejamento que tantas empresas e negócios fecham.

Muitos jovens escolhem se aventurar em áreas e mercados desconhecidos, sem nenhuma ajuda especializada. Vão levando a sua vida e os seus negócios com o “jeitinho brasileiro”, porém o que o brasileiro precisa entender é que, no cenário atual e futuro ,não existe espaço para “amadores desorganizados”. Esse sistema  está desmoronando! Podemos enxergar isso nas páginas de jornais no Brasil, onde empresas renomadas, como a Odebrecht, são um grande exemplo desse sistema falido.

Aqui, nos EUA, é muito difícil alguém contratar um serviço com uma empresa local e esta atrasar ou não cumprir o acordo, principalmente por motivos pessoais, como acontece com frequência no Brasil. E caso algo dê errado, a empresa arca com todos os prejuízos causados, sem questionar.

Vamos às diferenças que observamos com o nosso estudo:

1-  Educação – nos EUA, as escolas incentivam os alunos para que eles sejam independentes e não esperem uma aposentaria ou outras atitudes paternalistas do governo. Acredito que o ponto positivo disso é que a população amadurece mais e, com esse terreno fértil, é bem mais fácil empreender.

Quando se trata de empreender no Brasil, ou até trabalhar em um projeto sem ser remunerado para adquirir experiência, a maioria das pessoas desaparecem, e com os brasileiros que vivem aqui não é muito diferente. Quase todos preferem receber algum dinheiro e ser empregado. Mesmo sabendo que um projeto “solo” pode dar certo, temos um verdadeiro temor ao risco. A maioria vai achar a sua iniciativa maravilhosa, porém… partir para a ação é outra coisa.

A educação, no nosso país, não incentiva o cidadão a ter sensibilidade empresarial ou a frequentar eventos com a finalidade de gerar negócios. Não é interessante, para os governantes, criar indivíduos autônomos, em um país em que a corrupção é cultural, pois mudar o sistema significa “dividir a renda” e esse é o último interesse de quem está à frente da política em nações como a nossa.

 

2- Pouco profissionalismo – é quase impossível você frequentar um evento para fazer networkinge aparecer um empreendedor estadunidense sem site, cartão de visitas ou sem um projeto bem organizado. Já com brasileiros, isso é bem comum, além da falta de clareza em pontos cruciais.

Se quer fazer negócio com estadunidense, precisa entender a cabeça do empreendedor daqui, que é basicamente 2+2= 4. Ele quer RESULTADO!! Amizades e drinks sem um objetivo especifico ficam para os nossos amigos brasileiros.

No mercado atual, quem não é profissional está ficando para trás e se há uma coisa que os gringos nos ensinam diariamente é: organize-se! E usufrua essa estrutura para o resto da sua vida.

 

3- Baixo investimento em tecnologias – na minha opinião, esse é o ponto mais marcante de toda a nossa pesquisa. A maioria dos pequenos e médios empresários acredita que somente o boca a boca resolverá todos os seus problemas, e o investimento em tecnologia como site, e-commerce, app, Facebook, Instagram, Linkedln, Whatsapp, entre outros, ainda é bem baixo no Brasil. Muitos jovens e profissionais têm essas ferramentas, porém são utilizadas de forma equivocada, na maioria das vezes, principalmente para tratar de assuntos pessoais e fazer postagens sem conteúdo profissional.

Com que finalidade você tem usado suas mídias sociais? O que você tem postado? Qual o seu objetivo? Se for desenvolver-se profissionalmente e focar em seus sonhos, conversas levianas e indiretas, gerando conflitos desnecessários, deveriam sair da sua timeline.

Dependendo da forma como utiliza as redes sociais, elas podem ser seu inimigo ou aliado; a decisão é exclusivamente sua.

Quer entrar no mercado dos Estados Unidos? Então, comece agora a estudar como funcionam as redes sociais para captar e engajar seus clientes. Olhe para o futuro e entenda que o fechamento de lojas físicas já é uma realidade e quem se antecipar, com certeza, sairá na frente.

Se você não investir com foco na sua presença online, possivelmente irá fracassar ao tentar empreender na “América”.

 

4- Não existe fracasso total – no Brasil, quando você ousa montar um negócio e não dá o resultado esperado, sofremos um enorme preconceito social e esse é um fator que nos desmotiva, até mesmo, para começar.

Uma coisa que os estadunidenses têm bem claro em sua mente é que não existe fracasso total! O que existe é cair e levantar-se quantas vezes forem necessárias para alcançar o seu propósito. Inclusive, muitos investidores têm interesse em colocar o seu dinheiro em empresas nas quais os fundadores têm alguma experiência de fracassos anteriores, pois isso garante que ele, ao menos, não cometerá os mesmos erros.

A cultura dos EUA é a do “só errando você aprende”, e é assim que milhares de empresas crescem e multiplicam-se. Já no Brasil, o fracasso é mal visto pela sociedade e, principalmente, pelos investidores, além das criticas dos familiares que ainda acreditam que um bom emprego público será a melhor opção e resolverá todos os seus problemas.

Não é fácil aceitar o insucesso de um negócio, mas isso não precisa ser motivo de vergonha e desistência. Na maioria dos casos, as falhas cometidas vêm da falta de conhecimento e experiência. O negócio que deu errado pode trazer um grande aprendizado e um incentivo para que, em uma próxima oportunidade, o empreendimento seja melhor planejado, com maior cuidado e atenção.

Se uma tentativa não deu certo, aprenda com os seus deslizes e busque novas possibilidades para recomeçar. Com mais experiência, certamente o sucesso estará mais próximo.

Aqui, os filhos de milionários têm empregos até humildes. Isso chega a ser uma tradição. Muitos viram a filha do Obama trabalhando em restaurantes nas férias. Esse é um grande exemplo de humildade, por meio do qual os jovens reafirmam valores de uma cultura focada no empreendedorismo, tecnologia e inovação.

 

5- São os melhores compradores-  por que você acha que os EUA  são o maior mercado de consumo do planeta? Isso mesmo! Eles são consumistas desenfreados, porém, vamos analisar somente o lado positivo, correto?

Eles ganham em disparado quando o assunto é decisão: se querem comprar alguma coisa, o primeiro meio de pesquisa sempre será a internet. Após uma extensa pesquisa, sem atormentar o vendedor, ele vai ligar já sabendo o que quer e como vai pagar. Sabe aquela encheção de saco dos famosos “laranjas” que olham, olham e não compram nada? Exatamente esse lado ficou todo com a América do Sul!

E, com certeza, os estadunidenses já olharam em todos os sites somente para poupar o seu próprio tempo! O consumidor realmente sabe o que quer. Perguntam pelo menor preço, mas não “pechicham”, pois querem pagar o valor justo para que cada envolvido possa realizar um bom trabalho.

Uma vez, um empresário disse-me: “Quando o trabalhador não recebe o valor que acha justo, ele trabalha mal-humorado, além de não se empenhar em dar o seu melhor.”

Se você é um profissional liberal, aí, além do valor do seu trabalho, eles dão o famoso extra chamado de  “tip”, uma espécie de gorjeta. Aqui a finalidade geral não é pagar barato, e sim assegurar que o trabalho será bem feito, para durar por muitos anos e, assim, economizando tempo e dinheiro.

6- Americanos são mais organizados: é por isso que aqui existem app, planilhas e lojas gigantescas de material e papelaria.  Frequentar uma papelaria estadunidenses é uma das minhas atividades preferidas, pois encontro coisas inimagináveis. São planilhas diárias, desejos do dia,planners (que são um tipo de planejador, com os dias da semana, para colar na parede) etc. Das agendas daqui eu não gosto muito, pois os espaços para escrever são pequenos e bem resumidos; mas respeito, pois já consigo entender a cabeça objetiva de quem as criou. E o post-it ( febre, ao menos aqui, em New York)… você acredita que existem, até, guerras de post-it? Meio louco, não é?

Acho fantástico como eles se organizam; os materiais são divertidos e acabam incentivando, mesmo crianças e adolescentes, a entrarem na brincadeira.

 

7- Pequenos trabalhos são reconhecidos – a ideia implantada por todas as classes sociais por aqui é a de que você precisa aprender a se virar desde criança. Se cair, levante-se; arrume seu quarto e seus brinquedos; e, desde de cedo, vender limonadas e cookies ou entregar jornais fazem parte de uma cultura empreendedora. E súper comum, até em bairros de ricos, você ver crianças vendendo coisas, principalmente a famosa limonada, para arrecadar dinheiro para um passeio escolar ou para um curso ou para os seus projetos pessoais.

Não importa se você é lavador de carro, garçom ou baby sitter; ninguém vai diminuir a sua função por causa disso, além do que, existem milhares de imigrantes muito qualificados nesse tipo de ocupação e sendo bem pagos para fazer trabalhos súper dignos.

a) Foco na eficiência- A frase “Os fins justificam os meios”, da obra  “O príncipe”,  do escritor italiano Maquiavel, é uma tradução da política estadunidense. Em muitas empresas, o objetivo é o LUCRO. Outro dia, fui a um evento para empreendedores brasileiros e um deles afirmou “O atendimento de Nova York é o pior que eu já vi na minha vida.”

Tinha ido para dar um suporte e acrescentei que temos que ter um olhar local para descobrir o porquê de isso acontecer, sem justificar a falta de delicadeza por parte dos “Nova Iorquinos”. Eu expliquei que o foco da cidade é a eficiência, rapidez e LUCRO. Sei que no Brasil o atendimento é infinitamente melhor, porém, além de sermos um país com baixo consumo, se comparado com os EUA, temos uma crise instalada, o que faz com que os vendedores desenvolvam outras habilidades para conquistar seus clientes e atingir as suas metas.

O volume de venda de uma cidade como New York é gigantesco e eles têm algo internalizado que é: se você não comprar, alguém o vai fazer, e os resultados serão alcançados “anyway” (de qualquer maneira). E vamos compreender que o barulho e o movimento da cidade é ensurdecedor, sendo extremamente estressante trabalhar em um mercado tão competitivo; então, não podemos esquecer que o foco está em outra questão.

O que eu analiso, do ponto de vista comercial, é a eficiência do mercado. Em se tratando de business,com sua frieza e racionalidade, eles avançam, consolidando-se e  como a maior economia do planeta, sem ter, ao menos, um concorrente à sua altura. E quem quiser fazer negócio, de uma forma ou de outra, terá que estudar as técnicas que são utilizadas no mercado local. Isso caso sua finalidade seja o lucro.

 

FOCO NO OBJETIVO

Claro que nenhum país é um mar de rosas, e também não significa que outras milhares de pessoas não tiveram alguns problemas parecidos com os do Brasil por estas bandas de cá. O que acontece é que aqui isso não é a regra! Empresas como Amazon, Google, Apple, Facebook, Levi’s, Microsoft, entre milhares de outras, são reconhecidas pela sua qualidade e eficiência, e o nosso foco é analisar os pontos fortes para tentar evoluir nesse contexto.

O que os EUA trouxeram de lição para a minha vida? Que não há sonhos impossíveis; trata-se de trabalhar e sonhar com intensidade e, depois, ter a capacidade de se sacrificar e empenhar-se diariamente para fazer dos seus sonhos um planejamento bem executado, com altas chances de darem certo.

 

Até a próxima.

 

 

 

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