Empreendedorismo

Como o minimalismo mudou a minha vida

13 de fevereiro de 2017

São 5h20 da manhã. Meu celular apita, lembrando-me de um compromisso: chegou a semana de moda do New York Fashion Week. Acabei conversando com algumas pessoas sobre minimalismo e percebi como a visão distorcida é generalizada.

Viver com o mínimo não significa que você não compra nada; significa que faz compras conscientes, optando por peças de boa qualidade, que podem ser usadas em várias ocasiões, evitando acumular coisas que não usa.

Eu tinha milhares de coisinhas baratas, que eu somente usava algumas vezes e depois ia para o depósito de tranqueiras. Escrevi um pouco sobre isso no texto: Como destruir seus projetos seguindo a moda?

Além do minimalismo, tenho descoberto coisas e marcas (alternativas) que têm me dado um sentimento de compra consciente, o qual se encaixa com o novo propósito da minha vida: consumir produtos orgânicos, com respeito ao planeta e ao meio ambiente. Também estou aderindo a produtos locais, desde roupas e sapatos até comida.

Muitos são feitos por designers desconhecidos no Brasil; outros, produzidos em pequenas fazendas distantes dos centros urbanos. Passei a investir em itens e seguir pessoas que são importantes para mim e para o meu novo ponto vista, e não gasto o meu dinheiro em mais nada para agradar os outros.

Semana passada, uma amiga feshionista disse-me: “Você precisa investir em uma boa bolsa”. Eu respondi que, na minha vida atual, isso não faz mais sentido! Geralmente, saio cheia de pastas, material e computador; então, parece-me que uma mochila funciona melhor, além do que, acho extremamente necessário ter as mãos livres para andar e entrar na roleta da estação de metrô.

Acredito que tenho levado os meus desejos pessoais muito a sério e nem sempre respeito os trajes “corretos” para certos eventos. Vejo que a sociedade cobra-nos muitas coisas sem sentido algum e vivemos no automático, sem nos questionar se isso está nos fazendo felizes.

Vou lhe contar uma verdade secreta: eu tenho cavado oportunidades para, cada dia mais, ter a liberdade de trabalhar de tênis e moletom. Ahh não!! Você aderiu ao estilo americano?– pode ser que lhe passe isso pela cabeça. Talvez… afinal, os estadunidenses conquistaram-me com a deselegante frase “I don’t give a fuck”, ou Eu não me importo, numa tradução educada para o português.

Enquanto escrevo este texto, olho para o meu blazer rosa pink e digo para ele “It is time to let you go” (Chegou a hora de deixar você ir embora). Esta semana será mas uma daquelas em que jogo uma parcela do meu passado no lixo.

Não, não fico triste com isso. Minha vaidade tóxica está se acabando junto com as minhas roupas.

Algumas, sem etiqueta, afirmam a minha verdadeira vontade de querer mostrar o meu trabalho sem representar, com rótulos enlatados, alguém que eu realmente não sou.

Eu sei que esse estilo sustentável é um pouco mais caro que as marcas fast fashion, como forever 21, GAP, H&M, entre outras, mas a ideia central aqui é a mudança de paradigma.

O que a fast fashion fez foi criar, em nós, uma mentalidade descartável de consumo em excesso e quem paga a conta são os países pobres, o meio ambiente e o seu bolso.

Por que isso acontece de forma tão predadora?  Porque a maioria das empresas só está preocupada com a renda/lucro. O comportamento esperado é o de comprar e descartar!

Então, tudo o que é bem feito, de forma sustentável, sem prejudicar o sistema, custa caro. Principalmente porque, ainda, a demanda é baixa e o custo de produção torna-se alto.

Sei que a evolução será lenta, mas estou disposta a tentar essa transição. Não está sendo fácil e reconheço que estou só no comecinho… mas a minha recompensa pessoal tem sido muito boa.  Tenho tentado evoluir dia após dia.

Semana passada, estive no New York Fashion Week e foi super interessante perceber que estilistas e marcas estão mudando o seu ponto de vista, com relação ao fast fashion, e mostrando que a moda tem outro lado.

Até as marcas mainstream, como H&M e Zara, têm uma linha de roupas conscious/sustentável. Ou seja: o mundo está mudando. A pressão externa está “obrigando” essas marcas a se enquadrarem nos novos conceitos.

Poxa!! Como você mudou…– pode ser que eu ouça isso dos mais chegados. E é isso mesmo. Aos poucos, New York está me ajudando a eliminar a minha antiga vaidade nada saudável, e nesta terra, eu descobri que a única coisa que importa, de verdade, é manter a sua personalidade, com muita humildade.

Posso, até, comprar a tal “boa bolsa”, mas ela nunca vai definir quem eu realmente sou.

 

 

 

Fast fashion moda rápida; significa um padrão de fabricação e consumo, no qual os produtos são feitos, consumidos e descartados – literalmente – rápido.

 

Mainstream – o termo inclui tudo o que diz respeito à cultura popular e é disseminado, principalmente, pelos meios de comunicação em massa. Muitas vezes, é também usado como forma pejorativa para designar algo que “está na moda”.

 

Fonte: Wikipedia

Fotos: Society6

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4 Comentários

  • Responder Elizangela Faria 15 de fevereiro de 2017 a 11:32

    Ótima reflexão

    • Responder Verena Cordeiro 15 de fevereiro de 2017 a 13:55

      Obrigada Elizangela!

  • Responder Cristina ojuara 15 de fevereiro de 2017 a 17:39

    É isso aí. Na contra mão de qualquer ditadura.
    Moda, alimentação etc e tal. As mudanças são essenciais para mudança de paradigma.
    Viva a personalidade real, sem amarras e pretensões dissimuladas em coisas que são só coisas.
    Avante! Feliz por seu crescimento pessoal.
    Parabéns e sucesso!

    • Responder Verena Cordeiro 15 de fevereiro de 2017 a 17:59

      Cris, Obrigada. Estamos juntas nesse processo! :*

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