Empreendedorismo

Não pague essa conta!!

18 de abril de 2019

Já faz anos que este texto está na minha mente, mas por uma distração e outra, não o escrevi! Bem, aqui estamos nós. Hoje, eu quero falar sobre um assunto que não é segredo para ninguém; sabemos que, às  vezes, viramos frutos do meio e acabamos sustentando hábitos e comportamentos  que sabotam o nosso futuro.

Eu, por exemplo, só fui desmistificar algumas crenças limitantes quando decidi morar em outro país. Olhava para o lado e via pessoas do mundo inteiro comportando-se de forma diferente e tomando atitudes diferentes. Com isso, cheguei a uma conclusão: a nossa cultura nos sabota!

Esse comportamento se estende até as finanças e aí é que a coisa complica… Quando fazemos algo que dá errado, qual é a atitude óbvia a se tomar? Mudar a estratégia, correto? Sim, mas não é isso que costumamos fazer. Se olhamos para o Brasil, podemos ver um exemplo claro disto nos políticos e na própria população. E essas atitudes se repetem ano após ano; muda o governo e o país não evolui.

Li um livro chamado “Os próximos 100 anos”, de George Friedman,  e o seu foco é dar-nos uma perspectiva de como estará o mundo nas próximas décadas. Ele retrata países e governos de forma generalizada. Para minha tristeza, em um dos únicos parágrafos no qual falou sobre o Brasil, ele pontificou:

 

“Nas próximas décadas, o Brasil ficará preso às suas questões internas. Dessa forma, tentando resolver seus próprios problemas, o Brasil não terá uma participação mais atuante no cenário internacional.”

 

Como assim??? Quando me acalmei e olhei as notícias, eu me lembrei da recente briga de Paulo Guedes no Congresso, um discurso épico que confirmou as sábias palavras de Friedman.

 

 

VIVENDO NA CULTURA DO CONSUMO

Uma das coisas que passei a analisar na nossa cultura é o excesso de presentes como forma de retribuir amor. Durante uma viagem com uma amiga, ela tirou do bolso um papel com uma lista de presentes que precisava comprar.  E eu lhe questionei: “Mas você não acabou de me dizer que precisava juntar dinheiro?” Ela, um pouco indignada, respondeu: “Verena, são presentes para minha família!” E eu retruquei: “Se seus familiares realmente a amam, eles entenderão, e você não precisará comprometer as suas finanças com presentes que podem desfalcar os seus planos futuros.”

Mas é só um presentinho!!! Então, veja: se você somar os valores do quanto gasta anualmente com esses mimos, que em sua maioria  são desnecessários, o montante fará uma grande  diferença no final.

Uma outra questão é: por que temos que demonstrar o amor com presentes? Não seria mais prudente ajudar a família de forma mais efetiva? Exemplo:

 

Não seria mais “inteligente” investir em você e no seu futuro, para que, quando alcançar a sua liberdade financeira, possa auxiliar a família de forma consistente e equilibrada?

 

Ou, em vez de dar vários presentes sem muita utilidade para sua sobrinha, não seria mais útil pagar um curso de matemática e ajudá-la a passar no vestibular?

Vivemos em uma época em que não importa o que você compra, mas sim dar coisas que as pessoas nunca vão usar; ir a lojas de departamentos e comprar coisas de baixa qualidade, para mostrar que você se importa. Ok, não sou a melhor pessoa do mundo para abordar este assunto, pois, segundo o livro “As 5 linguagens do amor”, a minha linguagem é o serviço e tempo de qualidade, então, sou extremamente pragmática com tudo, inclusive com o tema presentes. Mas sempre acho que vale a pena uma boa reflexão, em especial quando escutamos pessoas que pensam de uma forma diferente da nossa.

Você  já se deu conta de qual é a maior dica de segurança que a aeromoça nos dá dentro do avião? Ela diz que antes de você colocar a máscara de oxigênio na criança, deve fazê-lo primeiro em você! Ou seja,  antes de tentar ajudar os outros, tente se salvar e estabilizar a sua vida. Afinal, como pensa em ajudar alguém, se você também está quebrado? Não seria mais prudente apertar os gastos e tentar se ajudar primeiro, para depois auxiliar os outros?

 

No filme Titanic, imagine se a Rose tentasse salvar o Jack… O final do filme seria com os dois mortos!!

Se você ainda não está com o colete salva-vidas ou se ainda não conseguiu um bote de resgate, não seria mais sábio ir atrás disso, antes que morram todos afogados?

Quando vamos perceber que essa cultura do consumo nos escraviza? Até quando as grandes empresas e o comércio vão nos manipular?

 

LIBERTE-SE 

Vivemos nesse ciclo, sempre esperando um milagre para sair de uma pior. Uma indenização, uma herança, uma causa na justiça, um aumento de salário. E não percebemos que o problema está no nosso estilo de vida, no dia a dia.

O que temos que fazer é criar um plano!! Como assim? Isso mesmo: um plano de longo prazo!! Um plano de como você quer estar nos próximos 10 anos. Que tal parar um dia inteiro e montar o seu, criando estratégias para o futuro e, assim, ficando mais tranquilo em um momento de tantas incertezas? E responda para você mesmo a seguinte pergunta: aonde você quer chegar e o que quer conquistar? Tome atitudes que o levarão cada dia mais perto do seu propósito de vida.

 

Também vale a pena fazer alguns questionamentos:

Que tal mudar de endereço, se o atual aperta as suas contas?

Que tal parar de trocar de telefone todos os anos? Ele lhe traz retorno financeiro?

Que tal cancelar a TV a cabo e ficar somente com o Netflix?

Que tal ir ao salão de beleza somente uma vez ao mês, em vez de quatro?

Que tal, quando for ao restaurante, pedir uma refeição para os dois e parar de deixar restos no prato?

Que tal alugar o quarto de hóspedes durante os meses em que ele está vazio?

 

Essas são somente algumas ideias para refletirmos se não estamos vivendo uma vida que não é a nossa por pura vaidade ou se estamos colocando falsas prioridades na frente do nosso objetivo final… Será que estamos nos sabotando, pensando no prazer imediato?

Não estou incentivando você a ter uma vida sem prazeres. Este é um convite para uma vida com mais equilíbrio.  Eu acredito que devemos refletir, voltar a focar no que realmente importa e parar de nos distrair com coisas que não nos levam a lugar algum. Afinal, a idade chega para todos.

Acredito que é melhor fazer como a formiga fez na fabula da cigarra e da formiga. Ela trabalhou intensamente no verão pensando em descansar no inverno, e devido a isso não morreu de frio. Então a única certeza que temos é, o nosso inverno também vai chegar,  e quem não tiver pensado em tricotar o seu suéter aos poucos, poderá acabar morrendo de frio.

Desejo a vocês uma semana cheia de boas reflexões, para encontrarmos o equilíbrio entre o futuro e o agora!

Relacionados a este post

2 Comentários

  • Responder Bruna 19 de abril de 2019 a 04:20

    Amei!!! Concordo ..:plenamente, a nossa cultura nos sabota! Brilhante o texto!

    • Responder Verena Cordeiro 19 de abril de 2019 a 15:08

      Bruna, fico feliz em te ver por aqui. Que bom que gostou! 🙂

    Deixe uma resposta para Verena Cordeiro Cancelar resposta

    Receba nossas atualizações

    e inspire-se com dicas sobre independência financeira