Empreendedorismo

Por que as mulheres fracassam nas finanças?

16 de janeiro de 2016

Durante 9 anos de trabalho como consultora financeira, o fato de quase não haver mulheres na minha carteira de clientes foi algo que sempre intrigou. De acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do governo federal, dos mais de dez mil agentes autônomos de investimentos certificados pelo órgão, as mulheres representam apenas 5%, aproximadamente.

Resolvi ir além desse fato curioso para entender o porquê disso, e de alguma forma tentar ajudar muitas de nós a mudar esse quadro.

Voltando um pouco no tempo percebemos que muitos acontecimentos históricos justificam essa nossa falta de interesse pelas finanças. A principal delas é que a libertação da mulher de um sistema patriarcal, é recente. A mulher só foi permitida a frequentar uma escola em 1827 e os reais movimentos feministas só vieram acontecer em 1960. Se tratando de mudanças sociais, isso foi quase ontem 🙁

Fiz uma pesquisa para entender os valores das mulheres quanto à dinheiro e encontrei questões importantes que devem ser analisadas. Segundo Andréa Villas Boas, do livro “Valor feminino”, existem alguns mitos que fazem com que as mulheres paralisem nas tomadas de decisões, trazendo comportamentos excessivamente conservadores.

Por décadas nossa sociedade nos excluiu das tomadas de decisões, principalmente com relação as finanças, éramos destinadas a cuidar da casa, dos filhos e das compras.

Durante boa parte da nossa vida recebíamos dos nossos pais e maridos um valor especifico para comprar, ou seja, tudo que era relacionado a compras e gastos era destinado a mulher: as roupas dos filhos, do marido, as compras do mês, ou seja, é como se ao homem coubesse a função de produzir e a mulher a função de gastar.

Hoje, estamos inseridas no mercado de trabalho com muitos direitos reconhecidos, porém, muitas cicatrizes do passado ainda estão enraizadas em nossa mente.

 

Uma questão cultural! Será?

 

De acordo com Villas Boas, as mulheres misturam a vida financeira com a vida espiritual, elas associam ganhar dinheiro e ser promovida com algo negativo que irá afastá-las dos filhos e da família, fazendo-as ter menos princípios e levando-as na contra mão dos valores morais. Enquanto os homens que foram entrevistados deram respostas completamente contrárias. Eles não deixam de fazer algo que lhes motivam e lhes dão prazer por estarem preocupados com julgamentos sociais ou críticas.

Um outro ponto a ser analisado é que durante séculos e séculos os homens foram incentivados a investir e arriscar, bases importantes para um investidor, ou seja, ganhando ou perdendo eles foram agregando sabedoria e experiência. Desde crianças foram incentivados a correrem atrás dos seus objetivos, enquanto a mulher era repassado uma cultura de prudência e contenção, o que acabou gerando um “medo excessivo” por parte das mulheres de investir e arriscar.

Com todo esse contexto vale super a pena rever conceitos e refletir: “será que os nossos hábitos automáticos, que estão nos impedindo de avançar, tratam-se da nossa vontade ou são exclusivamente fatores culturais e históricos absorvidos?”

 

Valores morais ou Valores hipócritas?

 

Muitas mulheres fazem dívidas sem poder só para agradar a família, principalmente em datas festivas. Você já parou para analisar quem é a responsável de comprar aquele vestido caro que a sobrinha tanto queria ou o relógio do sobrinho? Quem é a responsável de organizar os aniversários e as comemorações da família? Quase sempre é a mulher.

Dessa forma todas essas datas e essas pequenas práticas foram inflando ainda mais uma cultura muito mais consumista para as mulheres do que para os homens.

A ideia desse texto não é lhe transformar em uma pessoa “ruim e egoísta”, é apenas, que você reflita sobre os excessos, e entenda sobre esse processo para pensar um pouco mais no futuro e na sua própria segurança. Não podemos esquecer que a expectativa de vida está aumentando e com isso, a velhice acaba estendendo-se também.

Se você realmente está pensando no sentimento fraternal, saiba que as empresas e o comércio criaram essas datas justamente com essa finalidade, incentivar o consumo exagerado, desestabilizando sua vida financeira!

Vamos analizar alguns pontos:

1) Se sua família realmente gosta de você pelo que voce é, um presente a mais ou a menos não vai mudar o contexto dessa história, correto?

2) Por que você precisa agradar aos outros prejudicando a si mesma só para fazê-los sentir-se bem? E você, realmente está bem fazendo isso? Se tomar esta atitude é um ato egoísta, o que você me diz sobre a atitude de alguém ficar “diferente” com você só porque você não teve condições de comprar o presente que ele ou ela esperava?

3) O que esses presentes e sacrifícios irão agregar no futuro da sua familia e dessa pessoa?

Todos esses questionamentos devem ser feitos para podemos evoluir em cima das nossas ações e refletirmos se estamos sendo dominadas pela nossa cultura ou se estamos seguindo os nossos próprios sentimentos!

Nossa juventude é passageira e não podemos viver sem imaginar que existe um amanhã. Não podemos viver na dependência eterna de um outro alguém, sejam eles pais, namorados, maridos ou quem quer que seja. Temos sempre que pensar nas dificuldades e na importância de termos uma reserva para essas circunstâncias, inclusive nossa na velhice.

Precisamos assumir o controle da situação e sermos inteligentes o suficiente para tomarmos atitudes acertivas, sabendo separar sentimentos e afetos de sucesso, realização profissional e felicidade verdadeira.

 

Pense nisso. Boa reflexão!

 

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Imagem: Society6

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4 Comentários

  • Responder elizete miller 22 de julho de 2016 a 12:55

    OI Verena,
    Estou simplesmente amando sua pagina,li varios artigos mas o que mas me encantou foi o que fala da Paula Barbosa, sua forca e determinacao.
    Neste Pais que temos tudo para crecer, nos da muito orgulho de ver uma BRASILEIRA chegando la e conquistando seu lugar ao SOL.
    Meu nome e ELIZETE MILLER sou Cosmetology &Haristyling, lutando para conseguir meu lugar ao sol tambem,recentemente foi contratada pela empresa BRASILEIRA INSTITUTO BELEZA NATURAL que esta abrindo sua sede aqui nos ESTADOS UNIDOS,estou muito feliz pois sei que minha hora de realizar meus sonhos esta proxima.Senti vontade de compartilhar esta historia com voce pois sei que vamos nos entrar no meio empresarial de NEW YORK .AMEI esta pagina!!!ATE BREVE!!

    • Responder Verena Cordeiro 27 de julho de 2016 a 02:35

      Poxa Elizete, estou muito feliz por você!! Com muito trabalho e dedicação todos nós conseguiremos um lugar ao sol. 🙂

  • Responder Liz Domingues 19 de março de 2019 a 13:15

    Eu vejo que a cultura é a principal problemática com relação a mulher e dinheiro. Nós mulheres ainda temos um papel de cuidado da família, enquanto o homem é o provedor. Para muitas mulheres inverter esse papel é como perder a sua essência feminina, e se tornar “masculinizada”. Existe uma mudança, mas como vc disse é muito recente e um caminho longo em busca da emancipação de um padrão.

    Bjs e adoro seu blog. Continue crescendo.

    • Responder Verena Cordeiro 21 de março de 2019 a 16:33

      Exatamente isso Liz, temos que romper barreiras e discutir mais sobre esse assunto.
      Obrigada por sempre participar.

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