Empreendedorismo

Será mesmo que o dinheiro não traz felicidade?

20 de novembro de 2015

Venho pesquisando há 2 meses o efeito do dinheiro na nossa felicidade. Passei boa parte da minha vida ouvindo aquele ditado: “Dinheiro não traz felicidade”. Sabia que minha opinião como consultora financeira poderia interferir na resposta, então, fui atrás de autores que me ajudassem a responder essa complexa pergunta.

No artigo da revista “Science magazine”, alguns participantes de diferentes classes sociais foram entrevistados e precisavam relembrar suas atividades no dia anterior e descrever seu humor. O resultado encontrado não mostrou diferenças entre os níveis de felicidade entre o grupo das classes mais altas para as classes mais baixas.

Já no estudo realizado pela “Pew Research Center 2006”, foi avaliado a felicidade relacionada ao crescimento da renda das famílias estudadas. Em 25% das famílias que tiveram um crescimento da renda que chegava até $30,000 (trinta mil dólares anuais) ou menos, eles classificaram-se como: felizes, porém, em comparação com 50% das famílias que tiveram um crescimento da renda, chegando a ser superior à $150,000 (cento e cinquenta mil dólares) eles declararam-se: muito felizes. A pesquisa concluiu que quanto maior a renda maiores os índices de felicidade.

 

FELICIDADE

 

Por que não houve diferença nos níveis de felicidade entre os participantes de diferentes classes sociais? O que pode explicar o fato das pessoas com ganhos maiores terem-se declarado mais felizes do que as outras que tiveram ganhos menores?

No primeiro estudo, os autores concluíram que não é o “ser” que causa a felicidade, ou seja, não é o ser rico que irá gerar a felicidade, é o que o dinheiro lhe proporcionará. Isso complementa-se com o que foi encontrado na segunda pesquisa, quando o grupo que ganhou mais dinheiro relatou que com os ganhos maiores eles eram capazes de realizar seus planos como: viagens, cursos, montar seu próprio negócio e etc… Com isso, o dinheiro ajuda a promover uma maior satisfação geral na vida dessas pessoas.

O economista americano Richard Layard, identifica os sete pontos chaves para alcançar a felicidade, são eles: a felicidade nas relações familiares, trabalho, comunidade e amigos, a liberdade pessoal, a saúde, valores pessoais e situação financeira. A situação financeira é só um dos elementos que compõe esse círculo, mas, se observarmos vamos perceber que o dinheiro está atrelado aos outros pontos.

A felicidade com relações aos familiares, comunidade e amigos – Não estou dizendo que você precisa de dinheiro para conquistar isso, mas, o dinheiro lhe proporcionará momentos e viagens em lugares incríveis com essas pessoas, que, com certeza, irá fortalecer a união de vocês.

Trabalho – Você pode estar feliz com sua profissão, seja ela qual for, mas se você quiser crescer, profissionalizar-se e aperfeiçoar-se, você precisa de dinheiro para fazer cursos que lhe proporcione isto.

Liberdade pessoal – Às vezes a necessidade de estar só e ser independente chega a ser tanta que sufoca, mas para que isto aconteça o dinheiro se faz necessário para arcar com as despesas de morar só.

Saúde – Por fim e não menos importante a saúde, que para conquistarmos precisamos do dinheiro para termos uma alimentação adequada equilibrada, e principalmente pelo triste sistema público de saúde que temos no Brasil, que nos faz ter que recorrer aos planos privados, gerando um custo ainda maior no nosso orçamento.

Então, a idéia de que o dinheiro não “traz” felicidade pode ser perigosa e trazer um pensamento extremista, como: “Dinheiro não é minha prioridade” ou “Não vou me preocupar com isso”. Porém, não podemos ser negligentes ao ponto de acreditar nessa frase “clichê”, deixando o tempo passar sem pensarmos sobre isso.

POR ESSES ITENS CITADOS ACIMA PODEMOS PERCEBER QUE O DINHEIRO NOS TRAZ SIM UMA MARGEM DE CONFORTO.

 

Uma vez que você têm dinheiro e planeja-se, você pode evitar inúmeras situações de estresse e preocupações. Isso pode explicar o porquê na maioria das pesquisas os ricos se dizem mais felizes.

Em 2005, em outro estudo, os pesquisadores Glenn Firebaugh e Laura Tach, analisaram os níveis de felicidade e veja o que eles encontraram: “A felicidade é relativa ao grupo que você convive.

Essa pesquisa identificou que você só se sente plenamente feliz caso esteja no mesmo “grupo” que você convive, ou seja, pessoas que possuem a mesma idade e o mesmo nível social.. Exemplo: Sabe aqueles seus amigos da faculdade, vizinho e primos da mesma idade que você? Pois é, você só se sentirá feliz se estiver vivendo em condições iguais ou superiores que os mesmos.

Refletindo sobre a conclusão desse estudo, estava pensando que em boa parte dos casos, a “riqueza” que buscamos é mais para mostrar para a sociedade do que para nosso próprio bem estar pessoal. Não importa se nossa situação melhorou o que importa é ser mais rico que nosso vizinho.

OU SEJA, SE O MUNDO INTEIRO IGUALASSE A RENDA, ISSO NAO AUMENTARIA NOSSOS NÍVEIS DE FELICIDADE!!

Relacionado a esse ponto percebemos que o desejo por coisas materiais, aumenta nossos níveis de felicidade, só momentaneamente, desaparecendo na mesma intensidade depois que nos acostumamos com o novo objeto. Comecei a imaginar minha infância quando no natal recebia presentes novos.. Vinha toda aquela alegria que durava até eu me acostumar e depois desprezar o que recebi.

 

Como podemos pensar em dinheiro e felicidade no contexto das nossas próprias vidas?

 

Com o Equilíbrio. O segredo é usar o dinheiro com sabedoria. O supérfluo não traz níveis duradouros de felicidade. Devemos gastar o dinheiro com experiências, momentos, saúde e relacionamentos.. Isso sim vai aumentar nossa qualidade de vida e nossos níveis de felicidade à longo prazo.

Você já percebeu que os mais velhos falam saudosos da época em que mais conquistaram experiências e desafios? Pois é, no final é isso que fica na memória. Experiências vividas. Não é tão surpreendente afirmar que o dinheiro gasto do jeito certo realmente nos trará felicidade, mas é importante lembrar, afinal, escutamos a vida toda que a busca pelo dinheiro é pecado.

Como diz o britânico Angus Deaton que ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2015: “O dinheiro pode comprar felicidade, ao menos no sentido de satisfação na vida.”

Sabemos que o dinheiro não compra amor, amigos sinceros e os sentimentos mais verdadeiros, porém, com sabedoria podemos usá-lo para vivenciar momentos que vão nos trazer felicidade e podemos proporcioná-los aos que amamos.

Porém até a caridade que fazemos “tem um preço”, ver o rosto das crianças felizes lhe trouxe um gasto.

Não estamos afirmando que o dinheiro traz total felicidade para todos os seres humanos. Nem a riqueza por si só dá garantias de contentamento, porém, esse é um dos itens de equilíbrio.

Também não significa que devemos viver a nossa vida de forma descontrolada e inconsequente para sustentar esse falso ditado, ou para criar uma falsa sensação de liberdade e desapego. Em realidade eu mudaria esse ditado para:

Não é somente o dinheiro que traz felicidade!!!

A conclusão que chego é que em determinados momentos o dinheiro pode “comprar a felicidade”, porém, depende do que está em jogo e da definição de felicidade que cada um tem.

 

Referências:

– My Hapiness Project, Gretchen Rubin

– Eduardo Giannetti, Felicidade

– The wall street journal: Can the money buy hapiness? Mr. Blackman is a writer in Create.

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